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domingo, 28 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Por que tanto homem se fantasia de mulher?

por RUTH DE AQUINO
diretora da sucursal de ÉPOCA no Rio de Janeiro
raquino@edglobo.com.br



Eles são héteros, muito machos, mas no Carnaval soltam a franga. Essa expressão significa “desinibir-se, geralmente assumindo um lado feminino, alegre”.
Não é novidade, e acontece no Brasil inteiro. Eles não se fantasiam de mulher discreta. Precisa ser vulgar e desejável. Salto alto, seios pontudos, maquiagem pesada, decotes... e rebolation. No Bloco das Piranhas ou no Bloco das Virgens, nosso vizinho circunspecto fica irreconhecível até a Quarta-Feira de Cinzas. É tão divertido assim ser mulher?

Não existem blocos de mulheres fantasiadas de homens. Se a mulher quiser se desreprimir, a última fantasia será a de homem. “Mulher já pode se vestir de homem no dia a dia, usar calça comprida, camisa social, mocassim...e ninguém põe em dúvida sua sexualidade. Já o homem...”, diz o psiquiatra Luiz Alberto Py. “Quando Gilberto Gil e Caetano Veloso apareceram de pareô, a reação foi supernegativa. Em 1956, um artista plástico, Flávio de Carvalho, fez um desfile com homem de saia no Viaduto do Chá, em São Paulo, e foi vaiadíssimo.”

Minissaia, vestido de alcinha, frente única, tomara que caia, sandália, shortinho. É tudo ótimo no calor. Mulher tem um enorme leque de variações no vestuário. Homem é mais conservador. As novidades na roupa masculina desde os anos 60 foram a bermuda, a bata e a camiseta regata. Mesmo assim... Vários lugares noturnos e restaurantes admitem mulher de sandália, mas homem não. Mulher de short sim, mas homem de bermuda não.

Mas a roupa é só o visível. A fantasia de piranha desnuda outras fantasias. “O Carnaval é um rito profano e sagrado. O homem se veste de mulher porque quer ser mais afetivo de maneira escancarada, sair beijando todos, de qualquer sexo. Homem afetivo, nos outros dias do ano, é coisa de gay”, afirma o psicoterapeuta Sócrates Nolasco. “É um contraponto. Um momento do ano em que ele não precisa afirmar sua masculinidade. Mulher pode ser afetiva, carinhosa, extrovertida, dada, e nem por isso será tachada de ‘piranha’.”

É como se vestir peruca e salto alto no Carnaval
servisse para exorcizar a fragilidade do dia a dia
Não se duvida de que uma mulher seja mulher. Ela pode até ter relações amorosas ou conjugais com outra. Continua sendo mulher, caso não imite machos. Ela pode beijar amigos e amigas, abraçar, fazer carinho publicamente. Isso não fará dela “piranha” ou lésbica. A mulher pode, no trabalho, assumir atitudes estereotipadas masculinas – isso não fará dela um homem. O inverso é mais complicado.

É como se esses homens que se equilibram com pernas cabeludas sobre saltos altíssimos aproveitassem o Carnaval para exorcizar sua dificuldade de mostrar afeto ou fragilidade no dia a dia. Tudo é permitido porque é fingimento. No filme Se eu fosse você, em que Tony Ramos e Gloria Pires trocam de alma e papéis, as plateias o acham muito mais engraçado que ela. Porque Tony Ramos não se comporta exatamente como a sua mulher no filme. “A compulsão por futilidades e os trejeitos exagerados lembram mais o comportamento de um gay afeminado”, diz Nolasco. Para virar homem, Gloria Pires fala grosso, não abaixa a tampa do vaso e faz embaixadinhas – ela muda bem menos.

Os homens que se fantasiam de mulher para zoar à vontade fazem do Carnaval uma catarse de seus fetiches. Claro que só saem em bando. Coisa de macho mesmo. Porque sair sozinho vestido de mulher pode dar origem a outras interpretações.

“Todos, homens e mulheres, temos um lado homossexual”, diz Py. “A sexualidade é uma limitação brutal. A percepção de que a gente pertence a um sexo significa não pertencer ao outro, o que de certa forma nos rouba uma parte da humanidade. A mulher tem uma versatilidade comportamental muito maior. O homem não pode nem fazer carinho em outro homem. O Carnaval é a transgressão inocente, o liberou geral para desfrutar seu lado feminino sem perigo.”

Simpatizo com esses bandos de homens fantasiados de mulheres fálicas em tantos blocos espalhados pelo Brasil. Por um instante, eu me lembro de Freud. O pai da psicanálise dizia que a mulher sentia inveja do pênis. Não seria o contrário?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Garland? Streisand? Peggy Lee? Jim Bailey's career drags on

But don't call him a drag queen!
September 6





It’s been 40 years since Judy Garland slipped over the rainbow . . . 40 decades since the 47-year-old performer was found dead, slumped on a toilet in her London flat.
Yet Judy’s spirit lives on . . . through her recordings, her films, her TV appearances.
And through Jim Bailey.
For the past 43 years, Bailey has been donning his best Garland garb and voice, bringing her to life in performances that have earned him critical acclaim and fame and fortune, but perhaps more importantly, the seal of approval from Judy herself, who caught Bailey’s act when he first began performing as her back in 1966.



Judy’s daughters, even her ex-husband Sid Luft, always have praised the familiar facsimile, with Liza going as far as performing with Jim/Judy in a curious Las Vegas recreation of the famous Judy/Liza London Palladium concert of 1964.





Bailey’s voice grows quiet when he recalls what Liza once told him: “Don’t ever stop doing what you’re doing. If you do, how will I ever see my mama again?”
Bailey is also known for other illusions---Peggy Lee, Barbra Streisand, Phyllis Diller come to mind---but it’s Judy that has earned him a place in show business history.


We caught up with the 60+-year-old Bailey at his townhouse in Southern California, where he lives with his two rescue mission cats, Patches and Cuddles. Here, the master illusionist, who’s currently writing his autobiography (“and I am telling everything, kid!”) and working on a Broadway show and a new CD, chats about his life, his career and, course, Judy! Judy! Judy!










Some people think a man who wears a dress is a drag queen. Does that phrase anger you?
Of course it angers me. It’s slang. It’s a bad term, like shit. It should not be applied to me. I don’t even know what a drag queen is. And what does ‘drag’ mean? You drag race, you drag a chair, but when you say ‘drag queen,’ I don’t have a clue what it means, unless it’s slang for a man who wears a dress. I would rather be called a female impersonator than a drag queen, and I don’t like being called a female impersonator because I am not one. I am an illusionist. When I do Judy, I become Judy. I am Judy.

You have met, and worked with, so many famous folk. Is there a favorite?
There have been several. My relationship with Lucie Arnaz means a lot to me, and that happened through my relationship with her mother. Lucy was one of the celebrities who came backstage after my first big concert in Los Angeles. She pushed her way through the crowd, pressed a card in my hand and said, ‘I can’t deal with this. Call me.’ After I said hello and goodbye to everyone, I read the card. It said, ‘Dear Jim, Call me. I love you. Lucy,’ and it had her phone number.



I called her the next day and we began a friendship. I’d go to her house and watch movies with her when her husband was out of town or playing golf. She’d sit in her special chair, I’d sit on the couch and I’d think, ‘I cannot believe this! I grew up on I Love Lucy, and now I am in her den!’ Sometimes I’d spend weekends in her guest house. I remember one day she called and asked, ‘What are you doing tonight? The studio sent me this new Woody Allen movie. Wanna come over have dinner and watch it with me?’ That was Lucy’s way of saying, ‘Jim, I’m very lonely.’
We had dinner and the film was Everything You Always Wanted to Know about Sex . . . But Were Afraid to Ask. We were sitting there, and the scene with Gene Wilder and the sheep came on, and Lucy was sitting there, chain-smoking, making these sounds . . . 'Ugh! Oh! Eww!‘ She finally said, ‘Honey, I can’t take this anymore. If you want to watch the rest of this you can. I am going to bed.’ I watched the rest of the movie which I thought was very funny, but it wasn’t Lucy’s cup of tea. That was the only time she walked out of a movie we watched together.

What about Princess Diana? You performed for her at a Royal Command performance. Do dish!
Before the show, they told all the artists that Diana was in the Royal Box and that no one was to look up at her---that was the protocol. That’s all I had to hear. At one point, I looked up and Diana had this huge smile on her face. After the show, I changed into a tuxedo and there was a receiving line. Charles said something brief, and we shook hands. Then Diana gets to me. She's standing in front of me with the greatest skin I have ever seen in my life. ‘You are brilliant! I know Judy isn’t with us anymore, but she was here an hour ago. I really believed I was watching her. Tell me, when you are home, do you ever become these people?’ I said, ‘No. I think I have it pretty well pulled together. I want to tell you something Your Majesty . . .’
She interrupted and said, ‘Call me Diana, please.’ I said, ‘You must be congratulated on your work with people and the way you put yourself out in mainstream and care about unfortunate people. You love humans . . . you are such a human . . . you love human beings.’ I got all flustered and she said, ‘You are getting all loused up, but I do know what you mean. You are so kind to pay me that tribute.’
Here we are having this conversation, and her aide came up to her to push her along and she gave him this look. I was supposed to take her hand and kiss it, but Diana shook my hand like a real human being. Her aide freaked out because when you are royal, you don’t shake a man’s hand. She shook and said, ‘It’s such a pleasure meeting you. I hope we meet again.’

Did Diana wink and say, ‘Now don’t do me?’
[Laughs] No. But I’ve people ask me over the years, ‘Why don’t you do me?’ Bizarre people I couldn’t do in a million years.

Like who?
Let me think. [Pauses] Rosemary Clooney was one. I am looking at this woman who weighs 500 pounds and thinking, ‘Do you?’ I adored her. I loved her, loved her music. But I could not do her.




How long does the Judy transformation take?
I always allow three hours. I have it all paced out---when I eat, when I do makeup, when I do this or that. I do not want to be rushed. The people who work with me know when it’s time to get Miss Garland dressed. I don’t like to have any time to pace while the overture plays---I always have it down to the second. I get up and am ready because she’s wants to go on stage and work.

How has your illusion of Judy changed over the years?
As you grow older and you experience more and more of life, you understand songs that perhaps before you might have been acting. Now when I sing a particular song, I know exactly what it means. I have lived the lyrics.

You appeared as Barbra for the real Barbra. What was that like?
My manager got a call from a woman who said she was Carole Bayer Sager. She said that she was planning a private party for Barbra and asked if I would consider appearing as Barbra. My manager is telling me the story and I say, ‘You have been put on by someone who is very, very clever. Do you really think Carole Bager Sayer would call to ask me to do Barbra Streisand for Barbra Streisand?' So I called the phone and some maid answered, “Miss Bayer Sager’s residence.” I thought, ‘Uh-oh. This isn’t a joke.’
Carole told me about the party and what would happen.
At the end of dinner, Carole had it planned that someone would ask Barbra to sing, and that I would come out. Carole told me that Barbra would be way in the back of the room and that no one would notice her. This was a Hollywood-elegant party, on the beach in Malibu. At the end of the show, the audience stood up and went crazy. I walked off stage, shaking.
The real Barbra walks on stage, and a big-wig from Warner Brothers says, ’This is the real Barbra. That was Jim Bailey!’ [Laughs] Now everyone is thinking, ‘This is insane! Where’s the booze? Where did I put that cocaine?’ Barbara said [Bailey impersonates her voice], ‘Isn’t he great? If I’m tired, I can always call him up.’"



When I was in the dressing room, Barbra pushed the door opened. She said [again Bailey impersonates her voice], ‘You’re something else!’ She complimented me on my hair, dress, talk and make-up, but never mentioned the voice. She never said, ’You sound just like me.’ I waited, but she avoided the entire issue. She sat down and we chit-chatted and had our picture taken. She could not have been sweeter. What a night that was!

Those nights alone! What do you look for in a partner?
I am picky. Oh yes! Oh yes! I’ve had relationships on both sides of the fence, but for several years, I have been on my own. I would like to meet someone who’s not intimidated by me, who’s strong enough to deal with the fact I am a successful person and I do something that no one else does which makes me special. Someone who has their own money---God! I’ve supported people my entire f------ life!. Someone who is intelligent, giving. Someone who’s got to have a sense of humor. Age? I don’t know . . . not 23. . . no, no. They’ve got to be in their 40s.

And male?
No. Well . . . I don’t know. I don’t know. There are women I see who I am very attracted to, and if the moment was right, I’d probably be having an affair with them. It’s not like I think, 'OK. I’m not to be straight anymore. I’m exclusively gay.’ But right now, I prefer the companionship of a man.

My book, Morbid Curiosity: The Disturbing Demises of the Rich and Infamous, is getting RAVE advance press!

Dottie Laing Passes :: The International Foundation for Gender Education & Transgender Tapestry :: Promoting Acceptance for Transgender People

Dottie Laing Passes :: The International Foundation for Gender Education & Transgender Tapestry :: Promoting Acceptance for Transgender People

RJ: Preso se veste de mulher e foge da cadeia

RJ: Preso se veste de mulher e foge da cadeia
9/4/2009


Por Redação



Imagens de segurança do Conjunto Penitenciário de Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, registraram as imagens de um detento fugindo vestido de mulher. Vilcir Ferreira da Costa usava vestido, peruca e maquiagem para se misturar aos visitantes e deixar o presídio.

A fuga ocorreu em 15 de agosto, mas as imagens só foram divulgadas nesta semana.

O secretário de Administração Penitenciária, coronel Cesar Rubens Monteiro, afirma que a participação de agentes de segurança na fuga não está descartada.

Fonte: MixBrasil

terça-feira, 28 de julho de 2009

Bastidores do pornô no Brasil

Terça-feira, 28 de Julho de 2009

Entrevista - Brasil


Bastidores do pornô no Brasil






Eles estão nas bancas de jornal, na Internet, nas prateleiras das locadoras de vídeo, na programação da madrugada de canais de televisão. É assim, de maneira sutil, mas muito presente, que os filmes pornôs, ainda que fortemente estigmatizados, fazem parte do nosso cotidiano. Mas, afinal, quem são as pessoas que atuam nesses filmes? De onde vêm? Por que os fazem? E, principalmente, como os fazem? Esses foram alguns questionamentos que levaram a antropóloga colombiana María Elvira Díaz Benítez a dar início à pesquisa que resultou na tese de Doutorado “Nas redes do sexo: bastidores e cenários do pornô brasileiro”, defendida em fevereiro no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional (PPGAS/UFRJ).

Sua tese recebeu indicação de publicação e o livro, desdobramento da pesquisa, será lançado em 2010 pela Editora Zahar. A antropóloga também é a organizadora da coletânea Prazeres Dissidentes, a ser lançada em setembro pelo CLAM e pela Editora Garamond. A coletânea reúne 20 artigos que tratam de temas como incesto consentido, pedofilia, prostituição, crossdressing, entre outros.

Para a pesquisa de sua tese – feita através do método de observação direta das filmagens – a antropóloga passou um ano e meio entre idas e vindas a São Paulo, cidade que concentra o maior número de produtoras pornô do Brasil. Ao longo da investigação, María Elvira conta que buscou analisar os bastidores da produção de filmes pornôs no país e, nesse processo, acabou deparando-se com uma extensa rede social. Esta incluía não apenas pessoas que estavam diretamente envolvidas com a produção – como atrizes, atores, diretores, cinegrafistas –, mas também donos de locadoras de vídeo e bancas de jornal. A ampla rede compreendia ainda lugares como: boates, privês, saunas, casas noturnas, sites na Internet, determinadas ruas, sex shops etc. Assim, partiu do fato de que para entender as atividades envolvidas na produção de pornô, é preciso olhar para seu entrecruzamento com diferentes tentáculos do mercado do sexo, e para os modos como as pessoas transitam por diferentes contextos da rede.

“A produção de filmes pornô é só mais um fio no mercado de sexo e estes se concatenam entre si. Por exemplo, para recrutar atores e atrizes, as pessoas encarregadas dentro da equipe para esta atividade – ou recrutadores como chamei em meu trabalho – vão justamente a esses lugares. Eles funcionam como uma espécie de olheiros, têm uma espécie de “dom” especializado do olhar, pois conseguem enxergar nos recrutados as qualidades estéticas e corporais que o mercado precisa, com seu olhar conseguem antecipar o gosto dos consumidores, imaginar os prazeres que garotos, garotas e travestis podem oferecer. Então, voltando à grande rede, existem ligações entre as pessoas que trabalham nesses locais, como barman e donos de boate, com os produtores de pornô para o trânsito das pessoas que seriam o elenco dos filmes”, explica.

As mulheres e os homens de filmes gays são, segundo a pesquisadora, os principais alvos de recrutamento, e são mais frequentemente renovados neste mercado, enquanto os homens (dos filmes hetero) permanecem por mais tempo. “As mulheres, no mercado heterossexual, assim como as travestis, em seu nicho de mercado, são as protagonistas das capas, são o destaque, tanto do material publicitário como do próprio filme. É nelas que se concentra o olhar da câmera. Aliás, no começo de suas trajetórias, elas são chamadas por diferentes produtoras para trabalhar em diversos filmes. Tudo isso gera um desgaste da imagem e sua renovação é o que mantém “aquecido” o mercado. Já os corpos inteiros dos homens de filmes hetero praticamente não aparecem nas imagens nem nas capas. Nos filmes, muitas vezes só o que se vê são seus pênis, pois o resto de seu corpo não tem tanta relevância nestas estéticas. Mas o pênis, ele só, possui uma enorme carga simbólica, é, de fato, o fio condutor da narrativa”, afirma a antropóloga.

Segundo Maria Elvira, nos filmes gays, a lógica é outra em se tratando da exposição dos corpos “Os homens, tanto aqueles que fazem o papel de passivos quanto os que assumem o de ativos sexuais, têm o corpo inteiro exibidos: rosto, costas, nádegas, braço, perna etc. Os operadores de câmera usam outras técnicas de captação da imagem, fazem questão de mostrar detalhes que têm potencial erótico como a dilatação dos músculos ou até as gotas de suor descendo pelo abdômen. Eles acreditam que é isso que esperam os consumidores de filmes gay, porque possuem outro olhar. Daí também decorre a grande exposição destes rapazes e a necessidade de renovação se dá por conta disso”.

Para a pesquisadora, no caso das mulheres, entrar nesse mercado implica, para muitas delas, transgredir normas e expectativas familiares e se tornar alvo de estigmas. É por este motivo que, apesar da maior necessidade de renovação e dos cachês mais altos, recrutá-las é tarefa bem mais difícil. Para os homens, a experiência é bastante diversa: “Encontrei, por exemplo, alguns garotos que faziam filmes hetero que eram parabenizados por seus pais e pelos irmãos homens pelo fato de serem os ‘garanhões’ que faziam pornô. Muitos pensam o pornô como uma maneira de reafirmação pública de masculinidade. Por outro lado, não encontrei esse tipo de experiência com nenhuma mulher”, diz ela.

Entre os critérios envolvidos no recrutamento do elenco um dos mais importantes é a beleza, palavra que, como observa a pesquisadora, está atravessada por muitos outros fatores, como idade, estilo, carisma, sensualidade, cor etc. Com efeito, este último quesito é freqüentemente associado à virilidade, isto é, ao “imaginário da lascívia bestial do homem negro”, o que o torna um ponto positivo em todos os mercados, relacionando-os frequentemente com a atividade sexual, não somente em filmes gay e travesti, mas também em filmes hetero. Nestes últimos, a idéia da lascívia é exacerbada, por exemplo, em gang bangs, filmes em que vários homens fazem sexo com uma única mulher, sendo que, no pornô nacional, muitas vezes estes homens são negros e a mulher, loura.

Em relação às mulheres, María Elvira chama a atenção para o fato de que há uma grande variedade de corpos “racializados” aceitos na pornografia: as louras, por vezes simplesmente apelidadas de “gaúchas”, são muito procuradas, o mesmo ocorre com o tipo que o mercado costuma definir como “latinas”, isto é, mulheres de peles claras e cabelos pretos e longos – na prática, os cabelos longos (artificiais ou não) são quase que uma regra neste mercado, na medida em que é percebido como um importante signo de beleza. As asiáticas compõem outro tipo bastante cobiçado nos filmes pornôs realizados no Brasil, sendo que muitas vezes estas são associadas à estéticas “ninfetas” ou representações de “lolitas”, isto é, mulheres com aparência adolescente, “colegial”. Em relação às “mulatas”, a pesquisadora faz questão de destacar que o termo se refere à “mulheres de pele marrom, mas com cabelos alisados e traços faciais mais próximos dos brancos do que dos negros”. As mulheres de traços faciais fenotípicos tipicamente negros, no entanto, são recrutadas apenas em poucas ocasiões. A antropóloga diz conhecer no Brasil apenas uma única produtora, no Rio de Janeiro, que trabalha frequentemente com mulheres negras. A ausência, explica Maria Elvira, se deve ao fato de que elas não são consideradas bonitas dentro dos valores estéticos que manejam o mercado pornô, o que se demonstra no fato de muitos realizadores dispensá-las no recrutamento, aludindo a que os consumidores pouco consomem os filmes por elas protagonizados.

“Até nas produções de sexo inter-racial sua participação é relativa, porque estas geralmente priorizam as duplas de homem negro com mulher loura ou homem negro com mulher asiática. Ou então mulata com homem branco”, acrescenta.

Sexualidades consideradas “espúrias”, assim como corpos vistos como “anormais”, são também trazidas à baila por produções diferentes das convencionais. Neste rol, do qual fazem parte os chamados “filmes bizarros”, incluem-se diferentes corpos e práticas sexuais: aqueles que exibem práticas consideradas “extremas” (zoofilia, escatologia, ou sexo com vários tipos de excrementos humanos), ou pornô com corpos considerados “anômalos” (pessoas anãs e pessoas mutiladas, por exemplo), ou com indivíduos que mesmo não possuindo corpos “anormais”, divergem dos padrões hegemônicos de beleza (pessoas idosas ou obesas, extremadamente tatuadas ou perfuradas com piercings, extremadamente peludas na região pubiana, e até mulheres grávidas, entre outras). Muitas vezes a categoria bizarro confunde-se com a classificação de fetiche, embora entre estas existam diferenças, como explica a antropóloga em sua tese.

“Com o rótulo bizarro, o pornô cria uma linha divisória entre o que é normal, bonito, agradável e aquilo que é anormal, feio. Muitos desses filmes são feitos com uma grande carga de humor desde os títulos até as fotografias escolhidas para as capas e a divulgação. Alguns corpos fazem alusão socialmente ao riso. As pessoas anãs, por exemplo, participam de programas de humor e de circos. Jorge Leite, um antropólogo brasileiro, pioneiro neste país nos estudos sobre pornografia bizarra, associa essas representações aos antigos freak shows. Na prática, eles tornam mais perceptíveis os estereótipos que já existem. Outros corpos e especialmente algumas práticas, como por exemplo o sexo com animais ou com fezes, aproximam-se mais das estéticas do grotesco”, destaca.

E se pessoas idosas integram o chamado gênero bizarro, é porque a juventude é parte fundamental do que seria o pornô mainstream. Com efeito, ressalta a pesquisadora, um dos estilos de filmes mais vendidos no Brasil tem no elenco atores de “visual adolescente”.

Sexo coreográfico e disposições de gênero

A antropóloga destaca que a pornografia atinge justamente as fantasias das pessoas e, por isso, os corpos recrutados para os filmes mainstream precisam ser notadamente malhados e exuberantes, como indo além dos corpos cotidianos. As práticas sexuais também precisam ser espetaculares, dessa forma, algumas posições são pouco utilizadas, como por exemplo, a tradicional “papai e mamãe”.

Segundo a pesquisadora, o sexo anal pode ser visto como a prática não convencional mais realizada no pornô. O que era antes considerado, de certa maneira, uma prática dissidente, converteu-se no dia-a-dia da pornografia. “Tratando-se de pornô brasileiro, a exibição da ’bunda’ torna-se fundamental em função do imaginário de nação construído em torno desta parte do corpo, que é mostrada como aquilo que singulariza o povo brasileiro, evidenciando discursos de brasilidade. Isto é enfatizado nos filmes pornôs de Carnaval”, analisa.

O sexo pornô, segundo María Elvira, responde a uma lógica seqüencial de posições estrategicamente pensadas como em uma espécie de “coreografia”. Esta, em geral, começa com beijos na boca rápidos e curtos – justamente porque os longos são associados a casais que mantém uma relação afetiva. Deve-se destacar que os seios não costumam tomar muito tempo da coreografia, mas são importantes para exibir a beleza do corpo feminino, seja mulher ou travesti. O sexo oral seria, portanto, a terceira parte do script, seguido das penetrações que bem podem começar com dedos e, geralmente, terminar com penetrações anais e a ampla exposição do pênis. Estas coreografias variam dependendo do segmento do mercado, transparecendo assim alguns marcadores sociais da diferença e alguns discursos sobre normatividades e transgressões de gênero e sexualidade. Por exemplo, a pesquisadora observa que nos filmes direcionados ao público hetero, o sexo oral é praticado por homens e mulheres, porém, em grande parte das produções feitas com travestis, o homem é o único a recebê-lo.

“Os filmes pornôs com travestis geralmente fazem o que classifiquei como ‘sexo heterossexual com travesti’, isto é, usam o corpo da travesti como se fosse um corpo de mulher, recorrendo às mesmas disposições de gênero. Isso significa que a travesti faz o papel de mulher, e seu pênis não possui a relevância que este órgão costuma ter nas estéticas hetero e gay, às vezes, não é necessário nem que esteja ereto. Isto não quer dizer que o pênis da travesti não seja importante. Mesmo quando não é penetrador, este é importante para a cena, porque ele simboliza a diferença desse corpo feminino, põe em cena um outro feminino possível. Paradoxalmente, os filmes brasileiros que mais têm sido premiados internacionalmente são aqueles que rompem com essa disposição de gênero e a travesti também é penetradora”, comenta.

E se no caso das travestis a ereção nem sempre é requisitada, para os homens que assumem um papel sexual ativo ela é obrigatória. Assim, antes da gravação, os homens se preparam para ter uma prolongada ereção, porque dela dependerá sua performance. Enquanto alguns fazem uso de medicamentos, como pílulas ou injeções, outros a atingem através da concentração e a masturbação, que deve ser lenta e controlada, para evitar que a ejaculação ocorra antes do momento desejado. Com efeito, a masturbação é um recurso freqüente, já que praticada a cada vez que a gravação é interrompida – para retocar a maquiagem, corrigir a luz, secar o suor etc. –, de modo que o ator não perca a ereção.

O orgasmo – “o ponto final da obra, o auge da performance”, na análise da pesquisadora – é vivenciado de maneiras diferentes entre homens e mulheres. No caso masculino, a ejaculação tem que ser visível para a captação da câmera, ou seja, não pode ocorrer dentro do corpo do(a) parceiro(a). Posicionado de modo a favorecer a aproximação do cinegrafista, o homem geralmente ejacula sobre o corpo do passivo: no rosto, nas nádegas, nos seios etc. As mulheres, como todos os colocados no papel do feminino, por sua vez, demonstram o orgasmo através de um registro mais auditivo: gemidos, gritos, palavras. De fato, o recurso à fala na pornografia é, principalmente para os femininos ou para aqueles que não ejaculam em cena, bastante relevante. Estes aprendem a fazer o que seria um “gemido pornográfico” e a transa deve vir acompanhada de um picante diálogo. Nesse sentido, observa a antropóloga, o orgasmo feminino tem efeito sonoro dramático, enquanto o masculino é visual.

Há disposições em que este esquema é transgredido: “Alguns diretores fazem questão de que, por exemplo, em filmes gays, onde somente um dos atores é o penetrador, o passivo também ejacule mediante a masturbação. Ali, esse sêmen recobra força visual. Mas é notório como geralmente o sêmen destes passivos não recai nem toca o corpo do ativo. Assim, por meio do sêmen, o pornô elabora claros enunciados de gênero e, nestes arranjos, somente os colocados simbolicamente no papel do feminino podem receber ou ter contato corporal com ele”. acrescenta.

Perguntada se o pornô é transgressor, a pesquisadora afirma que “o pornô transita entre as fronteiras da transgressão e o conservadorismo. É transgressor porque desafia juízos morais que têm colocado a pornografia como o lado ‘sujo’ do erotismo, criando essa diferenciação entre o vulgar e o erudito, distinção esta que não faz sentido estabelecer. É transgressor também porque coloca em cena um sexo ‘carente de afetos’, desafiando o ideal do amor romântico, e pela maneira como expõe as práticas: de uma maneira crua, milimétrica, ‘despudorada’. Também é transgressor porque coloca em cena práticas sexuais dissidentes e as chamadas ‘perversões sexuais’. Mas é notório como o pornô pode ser transgressor quanto às práticas e, ao mesmo tempo, completamente conservador quanto às disposições de gênero. Em minha pesquisa eu percebi o quanto a heteronormatividade é crucial nessas redes, o quanto a masculinidade é valorizada. Por outro lado, o pornô é conservador pela forma como reitera estereótipos dos mais variados”, finaliza.


Fonte: CLAM

Ruth pega geral

[Há uma pequena menção a crossdressers ao final da matéria.]



Ruth pega geral

Ruth, professora, transa com até 41 homens numa noite sem cobrar e sem perder o tesão
icone postado
13.07.2009 | Texto por Lino Bocchini, Fotos Lino Bocchini Ilustração Colagem Alex Cassalho

Nas fotos das colagens desta matéria, Ruth posa antes de uma das sessões de gang bang. O quadrinho acima ficava na porta de sua suíte

Nas fotos das colagens desta matéria, Ruth posa antes de uma das sessões de gang bang. O quadrinho acima ficava na porta de sua suíte

O homem era grande. Mais de 1,90 m e pelo menos 100 kg, certeza. Pau grande também. Saiu cambaleando da cama e tropeçou uma, duas vezes. A pequena plateia riu do gigante de pernas bambas, que acabou caindo também na risada e soltou, com aquele sotacão carioca: “Porra, merrrmão, foi surra de boceta, foi surra!”. Quem bateu no grandalhão foi Ruth*. A essa altura, ela já tinha nocauteado quase 20. Eram quase duas da manhã, tinha começado às 22h e seguia lá, disposta, toda manhosa no meio de uma enorme cama de casal. Não, não é um conto erótico da internet. Ruth existe de verdade e transa com 10, 20, 30 homens em uma só noite. Toda semana. E transa com vontade, sem pressa, com todos que quiserem.

Ruth é professora, tem 52 anos e está no segundo casamento. “A celulite já está aparecendo, e as ruguinhas, também”, explica, justificando por que evitou posar para Trip mesmo sem mostrar o rosto (as fotos que ilustram estas páginas foram tiradas há quase três anos). E prossegue a descrição: “Os peitinhos continuam de pé, e a bundinha, durinha, fazendo o maior sucesso. A vontade de trepar segue no auge, e minha resistência para ser fodida diversas vezes seguidas não diminuiu. Aliás, acho que aumentou!”. Lendo assim soa clichê, parece forçação de barra. Por isso fui lá ver ao vivo. E, acreditem, é isso mesmo. Fica fácil entender por que essa mulher hoje é uma celebridade na cena swinger carioca. Na internet, ganhou fama como Ruth36. “Por ter transado com 36 homens em uma noite só”, explica Saulo*, seu simpático marido. “Meu recorde foram 41, mas pegou o apelido, e o pessoal continua me chamando de Ruth36”, explica a própria.

Casado com Ruth há sete anos, Saulo é um cara gente boa e, como é de se imaginar, liberal e bastante bem resolvido. “Temos uma relação muito boa, sinto muito orgulho dela, gosto de ter uma mulher desejada.” E não dá ciúmes? “Nunca tive, em nenhuma relação na minha vida. Abomino o ciúme. Por exemplo: ela queria ter um amante fixo, falou comigo e eu deixei numa boa. Eles se encontram todo sábado à tarde e, neste caso, eu nunca vou junto. Afinal, é o amante dela, poxa, eu não tenho nada com isso.”

Saulo usou a expressão “neste caso” porque, nas sessão de gang bang [quando uma mulher transa com diversos homens de uma só vez] que Trip presenciou, ele fornecia as dezenas de camisinhas necessárias e ajeitava os lençóis nos breves intervalos em que a mulher ia ao banheiro se recompor --hoje em dia, explica, às vezes espera no bar, tomando uma cervejinha. “Tem dia que eu não aguento e entro, mas normalmente fico só no controle, porque pode ter algum cara que se anime muito, então coloco ordem. Não pode ela dizer ‘tá machucando’ e o cara continuar, por exemplo. Uma vez aconteceu isso e eu meti a mão no peito do cara. Mas isso é raro, é muito difícil dar problema, tratam ela como uma rainha.”

Brincando de médico

“Acho que outras mulheres gostariam de fazer o que eu faço, pelo menos por um dia. Mas não têm coragem ou acham que não aguentariam”, fala Ruth. “Tem ainda o preconceito da sociedade, muita coisa oprime e não deixa que a mulher se liberte. Sexo é uma coisa muito bonita, mas as pessoas às vezes veem isso de outra maneira”, filosofa. Ela não sabe explicar de onde vem tanto fogo, mas lembra que a raiz vem de longe, bem longe. “Quando eu tinha 5 anos brincava de médico com os meninos do prédio. Eram uns seis meninos da minha idade, eu tirava a roupa e deixava eles passarem a mão em todo o meu corpo. Lembro perfeitamente a sensação deliciosa que sentia”, afirma. “E reproduzo isso hoje em dia nos gang bangs. Adoro quando tem uma meia dúzia de homens em torno de mim, me usando e abusando.”

“Ela queria ter um amante fixo, e eu deixei numa boa. Eu nunca vou junto. é o amante dela, poxa, eu não tenho nada a ver com isso”

Com o tempo, Ruth foi se soltando mais, e é tratada como estrela nas noites sexuais cariocas que frequenta. Marcou de conversar com a reportagem em uma dessas “festas liberais” – como têm sido chamadas as baladas de swing que permitem a entrada de solteiros. Eram três andares inteiros de um motel, com todas as suítes e áreas comuns – pista de dança, bar e corredores – liberadas. Em uma grande suíte, a plaquinha de madeira informava: “Cantinho da Ruth”.

É ali que nossa personagem entra no começo da festa e só sai quatro, cinco horas depois, não sem antes ter saciado todos os homens que se apresentaram. E algumas mulheres também – “Sou total flex”. Hoje Ruth mudou de festa, mas não de atitude. “A média continua sendo a mesma, de 20 a 25 caras numa única noite”, afirma. Sua área exclusiva está até mais organizada, conforme a própria explica: “A suíte do Cantinho da Ruth agora tem um vidro enorme na parede, como um aquário. Do outro lado tem um ambiente com sofás e mesinhas onde as pessoas podem assistir a tudo o que rola lá dentro da suíte”. A performance é sempre às quintas-feiras. “Fico ansiosa esperando a quinta. É toda uma preparação, tenho que estar bonitona, gostosona. Acabo de me produzir, olho no espelho e falo: ‘Tô gata! Tô linda!’. Só não vou quando estou menstruada, um período horroroso. Não gosto de transar assim e parece que dura uma eternidade”, lamenta. Saulo emenda: “Mas aí na semana seguinte ela desconta”.

Fuzileiros navais

Tudo o que envolve o universo de Ruth é superlativo e, quem não a conhece, pode duvidar das histórias. Por isso a reportagem só bancou este texto porque viu a ação in loco. Ruth é uma exibicionista completa. Adora que a vejam, prefere luzes acesas e diverte-se contando tudo tintim por tintim. Narra tranquilamente, por exemplo, detalhes minuciosos de seus encontros com um grupo de oito fuzileiros navais que foram seus amantes fixos com a mesma naturalidade de quem fala que o café acabou. Faz questão de esmiuçar como, na quinta antes da última troca de e-mails com a reportagem, morreu de prazer durante um gang bang anal com 15 homens. E por aí vai.

Nessa toada, vale citar o cálculo que ela e Saulo fizeram certa vez, tentando estimar com quantos homens Ruth havia transado no ano anterior. Arredondaram todos os números para baixo e ainda desconsideraram algumas transas, como as com Saulo – “As melhores da noite”, garante ela, dando mais uma de suas repetidas demonstrações de afeto pelo marido. Consideraram 20 homens por semana. Descontando uma semana de “recesso” por mês, são 60 varões a cada 30 dias. Em um ano, passam de 700 rapazes.

Antes do fim, gostaria de pedir licença para abrir um parêntese em meio a essa avalanche sexual: como o prazer de Ruth – e também o de Saulo – é um tanto incomum, reforço que se trata de um casal de vida social normal, profissionalmente bem-sucedido, pais dedicados e, além disso, muito educados e simpáticos. Esclarecimento feito, voltemos às estripulias de nossa amiga.

O que mais me impressionou nesta história toda foi ver como, para escolher seus parceiros, Ruth não faz distinção alguma de idade, tamanho da barriga, do dote, altura, aparência, nada. “Desde que seja homem, está ótimo. Não importa a idade, o tamanho nem a cor”, brinca, a sério.

E tem alguma preferência na cama? “Nem sei do que eu gosto mais, é muita coisa. Gosto de tudo. eu gosto de sexo!” Saulo fala um pouco mais sobre o assunto: “Ela gosta de carinho, de cuidadinho. E não gosta dessa história de tapa na bunda, que puxem o cabelo ou apertem o bico do peito muito forte. Isso corta o barato dela”. É isso aí. Abuse e se lambuze com Ruth, mas não seja bruto. Ah, cigarro ela também não suporta, ataca a rinite.

Nossa amiga esclarece esses últimos detalhes e despede-se em seu último e-mail, usando sua assinatura padrão:

“Um beijo para você e para todos da Redação,

ass.

Ruth VIP (Very Important Puta)”.

*Ruth e Saulo são nomes fictícios

Com a palavra, os psicanalistas

Convidamos quatro especialistas para tentar entender o que se passa na cabeça de Saulo e Ruth.

“Vou tratar o casal como ficção, pois ele deve ser muito mais complexo e interessante do que as poucas linhas que o descreveram; sua singularidade é impossível de ser verificada a não ser em conversas ao vivo. Feita a ressalva, vamos lá. Eles têm prazer em satisfazer. Precisam do desejo dos outros, se alimentam do olhar do outro, o casal sozinho não se constitui. Eles precisam do prazer alheio para subsistirem como casal. A psicanálise tem um nome para a situação: uma relação anaclítica, na qual se depende do outro. Como preciso do outro, se eu o satisfaço, ele não se vai, não me abandona, não fico sozinho. Não é um prazer COM o outro, mas é o prazer DO outro que importa. Eles se desviam da norma sim. Mas desde o feminismo e da queda do muro de Berlim a vida particular tornou-se problema privado, não há certo ou errado. Este casal, como não prejudica ninguém, tem o direito social de fazer o que bem entende. E, enquanto funcionar tal esquema, eles serão ‘felizes para sempre’.”

Mauro Hegenberg, professor de psicoterapia psicanalítica de casal do Instituto Sedes Sapientiae

“Nossa cultura hoje prega o prazer absoluto acima de tudo. Acho isso desolador. Mais do que exibicionismo, Ruth parece ter um insaciável impulso sexual, que a faz sentir-se importante, inclusive para ela mesma. O marido, por sua vez, parece um voyeur também sem limites, insaciável. Mas ele segue pela inação, e ela, pela ação. Ela tem 15 homens e não se satisfaz mesmo assim, nada a sacia. O único limite é a menstruação, que teria a ver com a feminilidade, mas não neste caso.”

Sueli Gevertz, coordenadora de comunicação da Sociedade Brasileira de Psicanálise

“Ruth pratica uma inversão da fantasia fálica da virilidade masculina. Sinal de que excita, frequentemente, homens e mulheres, da fêmea poderosa que derrota a noção megalomaníaca de Adão. Eva é a própria serpente cujas pernas abrigam a caverna que dá prazer, dá à luz (Ruth é mãe), e o marido é o coadjuvante do pecado. Esse coadjuvante não se sente traído, não lhe cabe a pecha de ‘corno’. Pelo contrário, aparenta uma superioridade na vizinhança da indiferença. Não sente ‘ciúmes’, como se o ‘show’ fosse da ‘rainha’ para sua própria excitação, prazer. Comparativamente, a prostituta que também transa com inúmeros fregueses mas só ‘goza’ com o seu cafetão. Interessante consignar-se a assinatura de VIP (Very Important Puta) e, talvez, aí esteja a compreensão da conduta com traços sadomasoquistas: a frustração da prostituição. Falta-se o essencial para essa categoria, o pagamento. Ela oferece, gratuitamente, aquilo que a sociedade de consumo cobra.”

Jacob Pinheiro Goldberg, doutor em psicologia e escritor

“A tendência seria fazer uma série de hipóteses, falar de exibicionismo, de desejo. Mas seriam análises apressadas, eu teria que estudar melhor esse caso. É como os cross-dressers [homens que se vestem de mulher], que estudei a fundo e vi que cada caso é mais complexo que tantas hipóteses comuns para esse universo, como a de que seria um homossexualismo enrustido. Independentemente de qualquer coisa, contudo, Ruth tem uma compulsão. Transar com cinco é uma coisa, com 30 é outra. Alguns homens também agem assim, mas aí o limite é a potência, a não ser no caso dos homossexuais passivos”.

Luiz Alberto Hanns, coordenador da nova tradução das obras do Freud para o português

Agradecimentos Editora Cena Muda pelos desenhos de Carlos Zéfiro usados nas colagens


Fonte: Revista Trip

(vá ao site para ler os comentários sobre a matéria)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O Homem da Tarja Preta - últimos dias em São Paulo

Teatro e Exposição

O Homem da Tarja Preta

Por Ferdinando Martins
19.03.09
Divulgação / Marcos Camargo

Durante muitos anos, Ricardo Bittencourt foi um dos principais destaques dos espetáculos do Teatro Oficina. Ator competente, sério e com brilho próprio, ele estreia um espetáculo avesso à carnavalização de José Celso Martinez Corrêa. Em O Homem da Tarja Preta, o ator é dirigido por Bete Coelho (que passou pelo Oficina, em Cacilda!). Este é o primeiro texto para teatro do psicanalista e colunista da Folha de S. Paulo Contardo Calligaris, que o escreveu especialmente para Ricardo.

Conta a história de um pai de família que, no home-office de um apartamento de classe média, vive uma noite que, talvez, seja menos extraordinária do que parece. Ele renunciou ao dever conjugal para se ocupar do trabalho que trouxe para casa.

De fato, ele espera a solidão da madrugada para, travestido de prostituta, se entregar a outro ritual numa sala de bate papo da Internet. Evocando os fantasmas de sua vida inteira, ele descobre que uma pergunta o assombra desde sempre: O que é um Homem? Como é ser Homem?


Local: Teatro Eva Herz. Avenida Paulista, 2073 (dentro da Livraria Cultura)
Horários: Quintas e sextas, às 21h
Informações pelo tel.: (11) 3170 4059
Ingressos: R$ 20
Em cartaz até 31 de julho


Fonte: G Online

sábado, 25 de julho de 2009

Stu Rasmussen: transgendered mayor gets clothing complaint

July 23



Mayor Stu Rasmussen of Silverton, Ore.









Stu Rasmussen is not your typical mayor. But then, he is also not your typical trans person.

Rasmussen, mayor of Silverton, Oregon, and reportedly the first openly transgendered mayor in the United States, expresses his gender as female — with a female hairstyle, clothing, and even breast augmentation — but uses a male pronoun.

“I identify mostly as a heterosexual male,” Rasmussen told KGW of Portland upon his election as mayor last November. “But I just like to look like a female.”

Apparently the people of Silverton were more concerned about what Stu Rasmussen could do for their city than what he looked like or chose to wear, because they elected him.

But now Rasmussen is in hot water with the city for his clothing choices — at least for what he chose to wear to a recent youth leadership training event.

According to Oregon’s Statesman Journal, Brenda Sturdevant, director of the youth program Together, has filed a formal complaint with the Silverton City Council claiming that Rasmussen violated the city council dress code for public figures by wearing high heels, a short skirt, and a revealing halter top to the event.

Rasmussen, who is a board member of Together and was invited to speak at a youth leadership meeting (not at the annual “Celebration of Cultures,” as originally reported) feels that the complaint is unjustified. It will now be up to the Silverton City Council to respond.

Rasmussen may be a puzzle to most non-trans people — and even to many trans people. He does not fit neatly into any of the categories that even trans people have defined for ourselves.

While the majority of crossdressers are heterosexual men with a primarily male identity, most crossdressers do not have breast augmentation or make any physical changes to the body, and most do not live full time in a female gender presentation. Rasmussen does not completely “fit” into this category.

Nor does he reflect what might be considered a “typical” male-to-female transgendered or transsexual person. Most people who would be considered transgendered male-to-females have a female gender identity, either all or part of the time, and most transsexual women — those who were born male but have a female gender identity and have made physical changes to the body and/or live as female full time — use a female name and pronoun.

But part of the freedom of gender expression is the freedom to be exactly who you are, whether or not who you are fits into a neat little category. Stu Rasmussen, by his own definition, is a “heterosexual male” who “like(s) to look like a female.”

While many people might not understand this self-definition, to the people of Silverton, Rasmussen’s qualifications were obviously more important than his appearance.

Where the clothing complaint will lead remains to be seen.

Author: Matt Kailey
Matt Kailey is a National Examiner. You can see Matt's articles on Matt's Home Page.

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